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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Para reflexão na US…

EU NÃO QUERO SER SÉNIOR, QUERO SER VELHA

Albertina Vaz 

Tenho vindo a ficar, como certamente muitos, profundamente desiludida com a sociedade com que nós, porventura os socialmente mais competentes e mais habilitados, estamos a viver procurando o mais ter, a mais-valia, a quantidade em detrimento do mais ser, que é efectivamente aquilo que dá valor à nossa vida.
Foi com uma estranha sensação que nos deparámos com a tremenda noticia de que alguém possa ter estado desaparecida, dentro do seu apartamento, durante nove anos, perante a imperturbabilidade de alguns familiares, das autoridades que gerem o nosso país, e dos moradores. Apenas uma única excepção, a vizinha que percorreu gabinetes e responsáveis e que não conseguiu, dentro do estrito e rigoroso cumprimento da lei, abrir uma fechadura. Ela bem quis mas a lei e a ordem impediram-na.
E fiquei a pensar nas sociedades primitivas em que os velhos eram os detentores do respeito e da sabedoria, em que nada se determinava sem que primeiro se consultassem os velhos, os maiores como assim se apelidavam.